Um sacerdote espiritano que trabalha na Arquidiocese de Ndola explica como católicos, cristãos de outras confissões e muçulmanos na Zâmbia colaboram no apoio às vítimas da seca, na proteção da infância, na formação dos jovens e no cuidado da criação — e porque o diálogo deve vir antes dos problemas.

Para o P. Remmy Banda, a fé deve ser uma força de unidade e não uma fonte de divisão. Afirma: «Há mais coisas que nos unem enquanto seres humanos do que aquilo que nos divide.»
Membro do Grupo Espiritano da Zâmbia, o P. Remmy serve na Arquidiocese de Ndola. Participou recentemente no Workshop de Diálogo Inter-religioso do SCCAI, em Nairobi, de 6 a 10 de setembro de 2026. Na Zâmbia, os Espiritanos estão presentes em quatro dioceses: Livingstone, Monze, a Arquidiocese de Lusaka e a Arquidiocese de Ndola.
O seu trabalho abrange três áreas fundamentais: a proteção da infância; a justiça, a paz e a integridade da criação; e o diálogo inter-religioso.
Lado a lado em tempo de seca
Na maioria das zonas onde os Espiritanos trabalham, o diálogo envolve sobretudo o ecumenismo, isto é, o relacionamento com cristãos de outras confissões. No entanto, na Diocese de Monze, em particular no Distrito de Pemba, vivem comunidades muçulmanas muito próximas.
Aí, católicos e muçulmanos colaboram em ações de ajuda humanitária, como o apoio às famílias afetadas pela seca. O P. Remmy observa: «Reconhecemos o que os nossos irmãos e irmãs fazem para ajudar as comunidades onde estão presentes. Nessas zonas, colaboramos, coexistimos e trabalhamos de mãos dadas.»
Sublinha que esta cooperação não encontrou qualquer resistência, pois o serviço comum aos necessitados revelou-se um terreno de entendimento.
Cristãos que trabalham como um só
Onde as outras religiões estão menos presentes, os Espiritanos associam-se a cristãos de outras confissões em vários projetos comuns. Entre eles contam-se a proteção do ambiente, a proteção de menores e adultos vulneráveis e iniciativas de desenvolvimento comunitário, como o saneamento, o abastecimento de água e a educação.
O P. Remmy relaciona este trabalho com o Sínodo da Igreja sobre a sinodalidade, sublinhando que «caminhar juntos» vai além da vida interna da Igreja e se estende às «pessoas com quem vivemos na mesma comunidade».
Dos «bombeiros» à prevenção
Uma ideia do workshop marcou-o especialmente: a descrição, feita por um orador, de como as comunidades adotam muitas vezes uma atitude de «bombeiros», agindo apenas depois de o problema ter surgido.
O workshop, explica o P. Remmy, dá aos participantes ferramentas para serem proativos. Estando atentos às tensões que podem nascer das diferenças confessionais ou religiosas, os responsáveis podem aproximar-se cedo dos seus vizinhos.
Afirma: «Prevenimos desde já a possível ocorrência desses problemas e garantimos que continuem a existir coexistência, paz e harmonia, enquanto promovemos o bem comum de todos nós.»
Os jovens no centro
Os jovens participam ativamente a todos os níveis, e os programas estão abertos a todas as religiões e confissões.
Empreendedorismo. Workshops reúnem jovens de diferentes Igrejas para desenvolverem competências que lhes permitam ser autossuficientes. O P. Remmy observa: «É algo que afeta todos os jovens.»
Proteção da infância. Sessões ajudam os jovens a identificar riscos e a saber como denunciar abusos e violência. Isto é particularmente importante em comunidades que ele descreve como «muito fechadas e pouco dispostas a falar sobre estas questões».
Plantação de árvores. Uma próxima campanha mobilizará os jovens para plantar árvores e aprender sobre conservação, numa zona onde se tem verificado um abate intenso de árvores.
O trabalho que ainda falta fazer
O P. Remmy fala com franqueza dos desafios. Entre as Igrejas cristãs, o mais difícil é chegar a acordo sobre um programa anual comum.
Atualmente, unem-se sobretudo em torno de acontecimentos nacionais e festas comuns. O Dia da Juventude reúne os jovens para celebrar e aprender. Na Páscoa, as Igrejas fazem uma Via-Sacra comum na Sexta-feira Santa e celebram o Domingo de Ramos no início da Semana Santa. O trabalho de desenvolvimento liderado pelos católicos no saneamento e no abastecimento de água também atrai a participação de outras confissões.
Para além destes momentos concretos, o envolvimento é mais difícil, talvez porque cada Igreja se concentra nas suas próprias atividades. O objetivo atual é planear com bastante antecedência as atividades conjuntas do ano.
O amor como fundamento
Questionado sobre a mensagem que gostaria de transmitir, o P. Remmy reafirma a sua convicção fundamental.
«A nossa fé não deve ser motivo de divisão. A nossa fé deve promover a unidade entre nós, dar-nos razões para trabalhar juntos. Nós, que professamos a fé em Deus, um Deus que é amor, devemos fazer do amor o fundamento do nosso compromisso na promoção do bem comum de toda a humanidade.»
A Conferência Espiritana das Circunscrições de África e Ilhas (SCCAI) deseja ao P. Remmy um ministério fecundo na Zâmbia.
Veja o vídeo completo de 11 minutos e 45 segundos e leia o artigo original no Substack.


Deixe um comentário