A deceção de Deus e o apelo a sair da lógica da cobiça
P. Louison Emerick Bissila Mbila, C.S.Sp.
Isaías 5,1-7; Salmo 79; Filipenses 4,6-9; Mateus 21,33-43.
Queridos irmãos e irmãs,
1. Uma só palavra pode resumir o que encontramos nos textos deste domingo, sobretudo na primeira leitura e no Evangelho. Essa palavra é «deceção».
2. Na primeira leitura, fala-se da deceção do Senhor em relação ao seu povo. Esta deceção é descrita através da metáfora do dono e da sua vinha. O proprietário tomou todos os cuidados para garantir um bom resultado. Trabalhou bem a terra. Protegeu o lugar construindo uma torre de vigia. No fim, o produto é de má qualidade. Os frutos não são os que ele esperava. Fica profundamente desiludido. A vinha, diz Isaías, é o povo de Deus. Deus tomou todos os cuidados possíveis com Judá. Só que os habitantes de Judá o desiludiram. Onde o Senhor esperava o direito e a justiça, vê a iniquidade e gritos de aflição. O povo não poderá escapar ao juízo, que é a consequência lógica da escolha que ele próprio fez.
3. Olhemos para a situação das nossas famílias. Quantos pais não veem os seus esforços reduzidos a nada pelo mau comportamento dos filhos? Fazem tudo, esperando que os filhos produzam frutos de sabedoria e de boa conduta. Infelizmente, o que veem é o abuso de drogas, o alcoolismo, o roubo, a libertinagem sexual, os maus resultados escolares, etc. Ficam, por isso, desiludidos. Eis uma vinha, a família, que nem sempre produz o que dela se espera. Sim, é verdade que, quando olhamos para as nossas famílias, há motivos para desilusão. Mas o primeiro desiludido não somos nós, é o Senhor. Apesar de todo o seu amor pelas nossas famílias, nem sempre fazemos os esforços necessários para progredir na justiça e no direito.
4. No Evangelho, Jesus usa uma parábola sobre a vinha. Emprega uma imagem familiar aos seus ouvintes, pois nas Escrituras a vinha remete para Israel. Tal como no texto de Isaías, também o proprietário fica desiludido. No entanto, no Evangelho a causa da deceção não é a vinha, mas aqueles a quem ela foi confiada, isto é, os vinhateiros. A vinha produziu certamente uvas de qualidade, mas os vinhateiros não querem entregar o produto ao proprietário.
A parábola usada por Jesus é habitualmente conhecida como «a parábola dos vinhateiros homicidas», porque mataram os servos e o filho do proprietário que lhes tinham sido enviados. No entanto, na base está, antes de mais, a cobiça. Estamos perante vinhateiros cheios de cobiça. Querem guardar para si o que não é seu. Para isso, estão prontos a usar todos os meios: bater, apedrejar e até matar. São Tiago descreveu a lógica da cobiça nestes termos: «De onde vêm as guerras e as contendas entre vós? Não vêm precisamente das vossas paixões, que lutam nos vossos membros? Cobiçais e não possuís? Então matais. Tendes inveja e não conseguis obter? Então combateis e fazeis guerra» (Tg 4,1-2). Os vinhateiros do Evangelho estão cheios de cobiça; são invejosos, ladrões e homicidas.
A deceção de Deus deve-se aqui ao comportamento dos líderes do povo: os sumos sacerdotes e os fariseus. Jesus falava de forma velada do que lhe iria acontecer. Porque é ele o filho do dono da vinha, o Filho do Pai, que será morto fora da vinha. É ele a pedra rejeitada pelos construtores, que se tornará pedra angular. Os sumos sacerdotes e os fariseus, como dirá Mateus (21,45), tinham compreendido bem que Jesus falava deles.
5. Voltemos às nossas famílias. Há também situações em que os bons frutos existem, mas são os líderes que não dão o bom exemplo. Pode acontecer que os filhos se esforcem por produzir os frutos esperados — filhos em quem se encontra o fruto do Espírito Santo apresentado por São Paulo na sua carta aos Gálatas, a saber «amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio» (Gl 5,22-23) — enquanto os pais se deixam guiar pela cobiça, que os leva muito longe no mal.
6. Façamos agora esta pergunta: o que devemos fazer para que tudo corra melhor nas nossas famílias e na sociedade? Creio que o salmo responsorial e a segunda leitura nos dão pontos de referência para avançar pelo bom caminho.
Primeiro, o salmo, que constata bem o estado lastimável da vinha, indica-nos o caminho da conversão. Reconheçamos as nossas faltas e os nossos pecados, mas sobretudo a nossa incapacidade de nos convertermos por nós mesmos. É por isso que o salmista pede a ajuda de Deus: «Fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome. Senhor Deus do universo, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos!» Possamos também nós adotar a mesma atitude do salmista em todas as vezes que nos afastámos do Senhor no nosso testemunho na família, na Igreja e na sociedade.
7. Em seguida, não entremos em pânico. Não nos tornemos profetas da desgraça nem pessimistas que veem o mal por toda a parte. São Paulo recomenda-nos viver na serenidade e rezar. Na agitação deste mundo, as palavras do Apóstolo ressoam com força: «Não vos inquieteis com coisa alguma; mas, em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos a Deus com orações, súplicas e ações de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.» Não sejamos, pois, pessoas agitadas, mas rezemos com ação de graças por todos os bons frutos que existem e com súplica para que todos produzamos frutos de qualidade em abundância.
8. Por fim, devemos pôr mãos à obra. São Paulo pede-nos que trabalhemos com discernimento. O seu conselho vale particularmente para a ação da Igreja na sociedade: «Tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, é isso que deveis ter em conta.» Trabalhando desta forma, não só poderemos experimentar uma paz profunda em nós, como o Senhor nunca ficará desiludido connosco. Que o Espírito Santo nos guie nesta tarefa, para que demos sempre mais fruto para a maior glória de Deus. Ámen.

