«Deixamos Nairobi para nos tornarmos diálogo»: discurso de encerramento do P. Fredrick Elima Wafula, C.S.Sp.

«Deixamos Nairobi para nos tornarmos diálogo»: discurso de encerramento do P. Fredrick Elima Wafula, C.S.Sp.

Discurso de encerramento proferido pelo P. Fredrick Elima Wafula, C.S.Sp., Superior Provincial do Quénia e do Sudão do Sul, no encerramento do encontro de diálogo inter-religioso da SCCAI, Centro Espiritual Rosa Mystica, Nairobi · 9 de setembro de 2026

Sessão anual de formação da SCCAI para coordenadores do diálogo
«Diálogo na verdade e na caridade»
Nairobi – 9 de setembro de 2026

Queridos confrades e coordenadores do diálogo,
Distintos convidados e parceiros,
Queridos amigos,

Há três dias, reunimo-nos aqui com uma pergunta: como podemos fortalecer a missão espiritana do diálogo inter-religioso em África e Ilhas? Hoje partimos com algo mais do que respostas. Depois de nos termos escutado, partilhado experiências e discutido o islão, as religiões tradicionais africanas, os novos movimentos religiosos, a liberdade religiosa e as realidades das nossas circunscrições, e de termos refletido sobre o nosso manual e o futuro do nosso ministério, partimos agora com a responsabilidade que acompanha a pergunta mais importante:

O que acontecerá quando sairmos desta sala? Porque o diálogo não termina em Nairobi.

O diálogo começa quando regressamos a casa, como Sylvester referiu na sua apresentação. Começa quando um cristão e um muçulmano descobrem que podem trabalhar juntos pelos pobres. Começa quando um jovem aprende que a diferença religiosa não tem de se tornar motivo de ódio. Começa quando temos a coragem de entrar em conversas onde outros construíram muros. E começa quando reconhecemos que a pessoa diante de nós — qualquer que seja a sua religião — é, antes de mais, uma pessoa criada à imagem e semelhança de Deus.

Queridos confrades, o tempo da ação é agora. O manual em que trabalhámos não pode ficar numa prateleira. Tem de entrar nas nossas paróquias. Tem de entrar nos nossos programas de formação. Tem de chegar aos nossos fiéis leigos. Tem de falar aos nossos jovens. Tem de ajudar as nossas comunidades a compreender os nossos vizinhos muçulmanos, os nossos irmãos e irmãs que seguem as religiões tradicionais africanas e os que pertencem a novos movimentos religiosos. E tem de nos ajudar a ser melhores missionários — missionários que sabem anunciar, mas também escutar; missionários que sabem falar, mas também acompanhar.

Group photo of participants in the SCCAI Interfaith Dialogue Workshop in the garden of Rosa Mystica Spiritual Centre, Nairobi
Participantes no encontro de diálogo inter-religioso da SCCAI, Centro Espiritual Rosa Mystica, Nairobi, 6–10 de setembro de 2026.

Quando regressarmos às nossas circunscrições, convido cada um de nós a fazer uma pergunta simples:

«Qual é a coisa concreta que vou fazer de forma diferente por causa destes três dias?» Não dez coisas. Uma só. Uma comissão paroquial fortalecida. Uma relação inter-religiosa iniciada. Um programa para jovens criado. Uma conversa começada. Um preconceito desafiado. Uma ponte construída. Porque, por vezes, o Reino de Deus avança através de algo muito pequeno: uma conversa, uma amizade, um ato de coragem.

Queridos amigos, a África precisa deste testemunho. Numa altura em que a religião pode ser manipulada para dividir, temos de mostrar que a religião também pode unir. Numa altura em que as diferenças podem gerar desconfiança, temos de mostrar que a diferença pode tornar-se oportunidade de encontro.

Numa altura em que o medo do outro cresce, temos de ter a coragem de dizer: «Encontremo-nos. Escutemo-nos. Compreendamo-nos.» Isto não é fraqueza. É coragem missionária. Por isso, como anfitrião deste encontro, não vos quero mandar para casa apenas com um manual revisto. Quero mandar-vos com uma missão. Regressai às vossas circunscrições e tornai-vos construtores de pontes. Regressai e criai espaços onde as pessoas se possam encontrar. Regressai e ensinai às nossas comunidades que o diálogo não significa abandonar a nossa fé. Regressai e mostrai, com a vossa vida, que é possível ser profundamente cristão e verdadeiramente aberto aos outros.

E quando o trabalho se tornar difícil — e tornar-se-á —, lembrai-vos das quatro palavras de Zanzibar: Dignidade. Espiritualidade. Serviço. Coragem. Acima de tudo, lembrai-vos de que não fazemos este trabalho sozinhos. O Espírito que nos enviou é o mesmo Espírito que pode abrir corações, curar memórias, vencer o medo e criar comunhão onde só vemos diferença.

Queridos irmãos, viemos a Nairobi para falar de diálogo. Deixemos Nairobi decididos a vivê-lo. Viemos como participantes. Partamos como missionários do diálogo. Viemos de diferentes circunscrições. Partamos como uma só família espiritana, comprometida com uma só missão. E que um dia se diga de nós — não que simplesmente falámos de diálogo, mas que ajudámos os nossos povos a redescobrirem-se como irmãos e irmãs. Esse será o nosso verdadeiro sucesso. Esse será o nosso verdadeiro manual. Esse será o nosso verdadeiro legado.

Fr. Fredrick Elima Wafula shaking hands with a guest in front of the SCCAI Interfaith Dialogue Workshop banner
O P. Wafula cumprimenta um convidado no encerramento do encontro de diálogo inter-religioso da SCCAI.

Em nome da Província Espiritana do Quénia e do Sudão do Sul, exprimo a minha profunda gratidão a todos vós, à liderança da SCCAI, aos nossos moderadores, à EFESIA-Bélgica e a todos os convidados e parceiros que enriqueceram estes dias. Obrigado pela vossa presença, abertura, fraternidade e coragem. Ao regressardes aos vossos diferentes países e circunscrições, levai convosco não só o que aqui aprendestes, mas também o espírito de verdade, caridade e coragem que nos reuniu.

Que Maria, Mãe da Igreja, nos acompanhe.

Que o nosso Fundador, Claude Poullart des Places, e Francisco Libermann nos inspirem a permanecer fiéis à nossa vocação missionária. E que o Espírito Santo continue a conduzir-nos aonde a Igreja e o mundo mais precisam de nós.

Viemos a Nairobi para aprender o diálogo. Deixamos Nairobi para nos tornarmos diálogo. Obrigado. Deus vos abençoe a todos.

Veni Sancte Spiritus!

Declaro oficialmente encerrada esta sessão anual de formação.

Preparado e apresentado por:
P. Fredrick Elima Wafula, C.S.Sp.
Superior Provincial, Quénia e Sudão do Sul

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