Homilia do P. Louison Emerick Bissila Mbila, C.S.Sp., para o 28.º Domingo do Tempo Comum, Ano A – 11 de outubro de 2026

Deus é o Senhor da alegria; connosco ou sem nós, o banquete do seu Reino terá lugar

Père Louison Emerick Bissila Mbila, C.S.Sp.
P. Louison Emerick Bissila Mbila, C.S.Sp.

Isaías 25,6-9; Salmo 22; Filipenses 4,12-14.19-20; Mateus 22,1-14.

Queridos irmãos e irmãs

1. As leituras deste domingo põem em evidência duas realidades fundamentais: a alegria e a tristeza. A primeira leitura é um «apocalipse», ou «o Apocalipse de Isaías», isto é, uma revelação que Deus fez ao profeta sobre acontecimentos futuros. Nela, Deus revela-se como o Senhor da festa. O profeta anuncia que o Senhor preparará um banquete sumptuoso no seu monte. No menu: carnes gordas e suculentas, vinhos finos e decantados. O suficiente para abrir o apetite de muitas pessoas nesta igreja!

Claro que isto não significa que os vegetarianos ou os que não bebem vinho serão excluídos. Trata-se antes de um banquete em que se oferecem todo o tipo de alimentos, sendo o que é mencionado o nosso «prato do chefe». Os convidados são todos os povos da terra. O que a ONU não consegue realizar, Deus fá-lo. Temos aqui, em imagens, um discurso sobre o fim da história, em que todas as famílias das nações serão reunidas à volta do Senhor do universo para celebrar a harmonia e a paz reencontradas. Nesse dia, a tristeza desaparecerá: a morte será destruída, levando consigo o seu cortejo de desolação. Deus é o Senhor da alegria, não da tristeza. Para o Senhor, a história da humanidade terminará com uma nota positiva.

2. O Evangelho fala-nos também de um grande banquete, o que um rei oferece pelo casamento do seu filho. Jesus usa esta imagem para nos falar do Reino de Deus. O casamento de um príncipe é habitualmente um acontecimento alegre para todos os súbditos. As celebrações da família real tocam, de certo modo, todas as famílias do reino. Tudo é preparado para um sucesso retumbante: comida, bebida, música, dança e convidados. Nada é deixado ao acaso ou à improvisação. É isso que o rei e a sua corte planearam. Quando tudo está pronto, a cortesia no Oriente exige que se avise os convidados para virem.

No entanto — e esta é a grande surpresa —, como se se tivessem combinado para sabotar as bodas reais, os convidados recusam-se a vir. Sabiam que estavam convidados e deviam ter-se organizado. No dia da festa, quando só faltam eles, os convidados não aparecem. Pode ter havido má comunicação por parte dos servos do rei. Por isso, o rei decide enviar outros servos com uma mensagem muito clara. Seja como for, os convidados não fazem caso desta mensagem. Alguns chegam mesmo a torturar e a matar esses servos. Onde só devia reinar a alegria, instala-se a tristeza.

4. Vão então acontecer duas coisas. Por um lado, a justiça tem de ser restabelecida. É esse o papel da expedição punitiva que fará aplicar a lei contra os convidados criminosos: o rei fez perecer os assassinos e incendiou a sua cidade. Também aqui a tristeza ganha terreno, mas esta tristeza é provocada pelos próprios criminosos. Colhem apenas o que semearam. Afinal, não foram obrigados à força a vir ao banquete real; porquê então matar pessoas cuja única missão era levar-lhes uma notícia?

Por outro lado, a festa não é anulada nem adiada. Vai realizar-se, mas com novos convidados. O rei pede aos servos que vão ao encontro de todos os seus súbditos e alarguem o convite a toda a gente. Ouçamos de novo as suas palavras: «Convidai para o banquete todos os que encontrardes». Note-se que o rei não pede aos servos que vão agarrar manu militari quem quer que seja, a bem ou a mal, para o levar ao banquete. Jesus descreve também como os servos cumpriram a missão do rei: «Os servos saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons…» Portanto, em momento algum se diz que se tratou de uma ação violenta, militar, que não deixasse escolha a estes novos convidados, nem sequer que eles não soubessem para onde iam. Deviam, pois, saber como comportar-se nas bodas da família real.

5.Vem, por fim, o episódio do encontro do rei com os convidados. O soberano verifica que, entre os convidados, há um homem que não traz o traje nupcial. Muitos perguntam-se se este rei está mesmo a falar a sério. Com efeito, dizem, como poderia um homem apanhado na estrada ter tido tempo de arranjar um traje nupcial? Só que o problema é que os outros também foram apanhados no caminho, e no entanto estão com o traje nupcial. Além disso, não se diz que os novos convidados tenham sido levados à força, como hoje se atiram manifestantes para dentro de um camião militar. O silêncio deste homem é, pois, o de alguém que não tem nenhum argumento válido para se defender. Note-se, aliás, que não pede desculpa. Acabará na tristeza, lançado fora, nas trevas.

6.No contexto de Jesus e dos primeiros discípulos, a parábola do grande banquete serve para explicar a situação paradoxal ligada à receção do Evangelho do Reino de Deus. Os sumos sacerdotes, os anciãos do povo e os fariseus, na sua esmagadora maioria, comportaram-se como os convidados que se recusaram a vir ao banquete do rei. Pelo contrário, muitos publicanos e pecadores responderam de bom grado ao Evangelho. Depois do Pentecostes, ser-lhes-ão juntos na Igreja homens e mulheres de diferentes culturas, línguas, povos e nações.

7.Queridos amigos, connosco ou sem nós, o banquete do Reino de Deus terá lugar. Nada o pode anular ou adiar. Se o banquete do Reino de Deus vai mesmo acontecer, quem fará parte dele? Devo fazer-me a seguinte pergunta: não haverá em mim certas coisas que valem mais do que Deus? Como no Evangelho, pode ser que os meus bens materiais (as minhas terras, o meu comércio, os meus negócios, etc.) tenham mais importância do que a minha relação com Deus. O Senhor continua a chamar, mas é como se a mensagem que recebe de volta fosse esta: «O telemóvel que marcou está desligado ou fora da área de cobertura». Não fechemos o coração e permaneçamos dentro da área de cobertura que é a Igreja. Porque só Deus nos pode verdadeiramente encher de alegria.

8.Por fim, não basta ser convidado pelo Senhor. É preciso ainda tomar as disposições necessárias. Quando somos esperados na Presidência da República ou temos encontro marcado com uma alta autoridade, como nos preparamos? E quando o Senhor nos convida para a Eucaristia, que é uma antecipação das bodas do Cordeiro, como nos colocamos na sua presença? A nossa forma de vestir não deve ser descuidada: por vezes, pela maneira como nos vestimos e nos comportamos na sua presença, transmitimos aos outros a mensagem de que Jesus não é digno de respeito, quando professamos que ele é o Rei do universo. Acima de tudo, não esqueçamos o nosso traje nupcial, isto é, uma vida conforme às promessas do nosso batismo: renunciar a Satanás e a todas as suas mentiras, crer em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, na Igreja, produzindo obras que testemunhem a nossa fé. Ámen.

Publicado originalmente em ESPIRITANOS ÁFRICA E ILHAS, no Substack.