Homilia do P. Louison Emerick Bissila Mbila — Deus não nos criou como máquinas ou programas pré-programados

Homilia do P. Louison Emerick Bissila Mbila — Deus não nos criou como máquinas ou programas pré-programados

26.º Domingo do Tempo Comum, Ano A — 27 de setembro de 2026

P. Louison Emerick Bissila Mbila, C.S.Sp. (traduzido do original francês)

Ezequiel 18,25-28; Salmo 24 (25); Filipenses 2,1-11; Mateus 21,28-32.

Queridos irmãos e irmãs,

1. Pensamos muitas vezes na omnisciência de Deus nestes termos: «Deus sabe tudo. Como sabe tudo, conhece o passado, o presente e o futuro. Sabe, portanto, quem será salvo e quem já está condenado. Se assim é, para quê esforçar-nos? Se está decidido que serei condenado a viver separado de Deus por toda a eternidade, para quê fazer esforços, para quê vir à Missa? Não seria melhor simplesmente aproveitar a vida?»

As leituras de hoje revelam-nos o Deus vivo e verdadeiro, o Deus único, e não um deus nascido da imaginação humana. O Deus que se dá a conhecer na Escritura não nos criou como máquinas ou programas pré-programados. Criou-nos livres, capazes de mudar. Em suma, nada está decidido de antemão. Caso contrário, estaríamos a perder tempo a tentar percorrer o caminho da justiça e da santidade se o nosso destino já estivesse selado.

2. Deus fez-nos para a vida, uma vida que não se limita a este mundo. Deseja que todos nós, bons e maus, vivamos eternamente com ele. Na primeira leitura, a surpresa está sobretudo no que Deus diz sobre o ímpio. Normalmente pensaríamos que Deus quer que o ímpio pereça, e mais nada. Mas não! O Senhor olha também para o ímpio com misericórdia. Deus não ama o mal, mas ama a pessoa e quer que ela viva. Como? Convertendo-se. Ao mesmo tempo, Deus encoraja quem faz o bem a perseverar até ao fim. Se o ímpio se afastar da sua impiedade, viverá. Mas se o justo se afastar da sua justiça, morrerá. O ser humano é capaz de mudar, para melhor ou para pior, mas Deus quer que seja para melhor.

3. No Evangelho, Jesus retoma o mesmo tema do profeta Ezequiel. Desta vez, dirige-se a uma categoria de pessoas que julgam não precisar de conversão: os sumos sacerdotes e os anciãos. São Mateus diz-nos que Jesus lhes dirige precisamente a parábola dos dois filhos. Há um filho que começa mal e acaba bem, tal como há um que começa bem e acaba mal. O primeiro filho recusara-se a ir trabalhar na vinha do pai. Mas depois, caindo em si, decide ir. Nos termos da primeira leitura, é a situação do ímpio, aquele que disse não a Deus com o seu modo de viver, mas que depois se converte e volta para o Senhor. Para Jesus, é o caso dos publicanos e das prostitutas. Quando ouviram a mensagem de conversão do Reino de Deus, mudaram de vida.

No entanto, há o segundo filho, que disse sim e afinal não fez nada. Começou bem para acabar mal. Lembra-nos a situação, na primeira leitura, do justo que se afasta do bom caminho. E Jesus adverte os sumos sacerdotes e os anciãos do povo de que estão nesta situação por recusarem converter-se. É então que lhes dirige as palavras chocantes que acabámos de ouvir: «Os publicanos e as prostitutas vão à vossa frente para o Reino de Deus.»

4. Estará Jesus a encorajar os publicanos e as prostitutas nas suas faltas? Claro que não. Na realidade, se seguirmos a lógica da parábola, Cristo refere-se aos publicanos e prostitutas arrependidos. É verdade que, para as pessoas, para esses sacerdotes e anciãos, eles não são nem mais nem menos do que publicanos e prostitutas. Mas para o Senhor, são pessoas renovadas no caminho da salvação. Essas pessoas, consideradas detestáveis, são apresentadas como modelos de cooperação com a graça divina.

5. Para nós hoje, lembremo-nos de que seremos julgados pelos nossos atos e não pelas nossas belas palavras. O que conta é fazer a vontade de Deus, e não sequer as belas palavras que professamos, por importantes que sejam. Quantas promessas fizemos que não foram cumpridas? Não basta, por exemplo, ter dito isto ou aquilo no dia do casamento. É preciso vivê-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.

6. Por fim, o Senhor nosso Deus não nos fecha no nosso passado, seja o que for que tenhamos feito. Cristo liberta-nos da escravidão do passado. O pior insulto à sua misericórdia é acreditar que aquilo que fizemos é grande demais para ela. Do mesmo modo, não fechemos os outros no seu passado. Há pessoas que, mesmo depois de confessarem os seus pecados, receberem a absolvição e cumprirem a penitência, não acreditam que Deus as perdoou. Isso mostra que ainda são prisioneiras do passado. Cristo Jesus estende-nos a mão para nos libertar de todas as nossas prisões, incluindo a prisão de uma existência que nos fecha nas celas do passado. Aproveitaremos a oportunidade que nos é oferecida? Ámen.

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