25.º Domingo do Tempo Comum, Ano A — 20 de setembro de 2026
P. Ugochukwu Ikwuka, C.S.Sp., Superior Provincial da Província Espiritana Britânica.
Isaías 55,6-9; Filipenses 1,20c-24.27a; Mateus 20,1-16a.
Queridos irmãos e irmãs,
No fim de uma entrevista de emprego, a diretora de recursos humanos pergunta ao engenheiro recém-formado: «E que salário inicial pretende?» O candidato responde: «Na ordem dos 125 000 dólares por ano, dependendo dos benefícios.» A entrevistadora pergunta: «Bem, o que diria de cinco semanas de férias, 14 feriados pagos, cobertura médica e dentária total, a empresa a contribuir para o seu fundo de reforma com 50% do salário, e um carro da empresa renovado de dois em dois anos — digamos, um Range Rover Sport?» O jovem engenheiro endireita-se e exclama: «Uau! Está a brincar?» E a entrevistadora responde: «Sim, mas foi o senhor que começou.»
Temos no Evangelho deste domingo uma parábola muito curiosa. Um proprietário contratou trabalhadores a diferentes horas do dia para trabalharem na sua vinha. Mas, no fim do dia, pagou a todos o mesmo salário. Embora os primeiros trabalhadores tenham recebido a quantia combinada, sentiram uma certa injustiça e murmuraram. Porque haveriam os que trabalharam apenas uma ou duas horas de receber o mesmo que os que trabalharam oito ou dez? Isso contraria as regras racionais da troca. Não disse o próprio Jesus, noutro lugar, que o trabalhador merece o seu salário? (Lc 10,7).
Esta forma de pensar reflete o nosso sentido de justiça, que se baseia normalmente naquilo que julgamos merecer. Mas, pensando bem, o que merecemos realmente? Merecemos ter casas bonitas, carros, roupas, brinquedos, etc.? Poderia pensar: «Sim!» Afinal, trabalha arduamente para os ter. Mas merece ter o emprego que lhe permite trabalhar e ter essas coisas? Mais uma vez, poderia pensar: «Sim!» Merece ter um bom emprego: afinal, estudou durante muito tempo para se qualificar, ou subiu a pulso até onde está hoje.
Mas merece a oportunidade de ter frequentado aquela boa escola ou de ter progredido na carreira? Poderia igualmente pensar: «Sim!» Merece a oportunidade de uma boa educação: afinal, é, por exemplo, britânico ou de um lugar comparável de liberdade e paz onde todos merecem tais oportunidades. Mas o que o faz pensar que merece ser britânico ou de uma nacionalidade comparável, e não de um dos lugares instáveis do mundo — Gaza, o Congo ou os bairros de lata da Índia? Acha que não são seres humanos como o senhor os que nasceram nesses lugares e lhes pertencem? Quem alguma vez teve mão nas circunstâncias do seu nascimento, que determinam em grande parte as oportunidades da vida?
Sim, poderíamos iludir-nos com a lista do que julgamos merecer; mas, como pecadores, se merecemos alguma coisa, é a morte, que é o salário do pecado (Rm 6,23). No entanto, tal como os trabalhadores que começaram tarde, não recebemos o que merecíamos. Recebemos, em vez disso, misericórdia: isso é a graça. A graça é o único artigo de fé próprio do cristianismo. Implica que, em rigor, não merecemos nada. Tudo o que recebemos é essencialmente pela graça de Deus. Não temos, por isso, razão para falar de injustiça ou pensar que a graça não pode ser igualmente estendida com generosidade a outros, por pouco que tenham contribuído.
No entanto, a ironia é que a justiça é precisamente o ponto central da parábola. Mas a ideia que Deus tem de justiça é muito diferente da nossa. Como bem observa a primeira leitura, os caminhos de Deus não são os nossos caminhos e os seus pensamentos não são os nossos pensamentos. Para que todos compreendessem esta lição, o proprietário do Evangelho mandou que o pagamento começasse pelo último grupo; assim, todos os dos primeiros grupos, que tinham trabalhado o dia inteiro, viram os que só trabalharam uma hora receber o salário de um dia completo. Aprendem que, para Deus, a justiça não se mede pelo rendimento ou contributo de cada um, mas segundo a necessidade. E todos têm as mesmas necessidades básicas na vida. Todos, cedo ou tarde, têm exatamente a mesma necessidade da misericórdia e do amor de Deus, e cada um recebe-os por inteiro.
A parábola dirige-se especialmente aos judeus, que com razão se consideravam o Povo Eleito de Deus, mas que, em vez de compreenderem que «trabalhar» na vinha do Senhor é uma alegria e um privilégio, passaram a vê-lo como uma espécie de dever pesado e a pensar que, por isso, mereciam uma recompensa maior do que os que chegam à fé mais tarde. Também nós, cristãos de toda a vida que procurámos durante muitos anos viver as exigências do Evangelho, podemos achar injusto que alguém que levou uma vida terrivelmente imoral possa converter-se à última hora e morrer no amor de Deus.
Pensemos, por exemplo, em Maria e em tudo o que passou por causa da sua fidelidade a Deus: desde o embaraço de uma gravidez inexplicável, uma vida exigente que a levou até à Cruz. E ali, aos pés da cruz, um criminoso condenado fez um ato de fé de última hora e recebeu a promessa do paraíso. Isto não parece nem equitativo nem justo, pelo menos segundo os nossos critérios. Mas, visto deste modo, significa que encaramos a fidelidade às exigências do Evangelho ou a Deus como um sofrimento, o que é irónico e mesmo lamentável. É a pessoa que vive segundo os valores evangélicos da verdade, do amor, da generosidade, da partilha e da justiça que experimenta a verdadeira felicidade.
A vida de pecado e imoralidade, pelo contrário, assenta muitas vezes numa busca inútil da felicidade. Devemos, por isso, estar gratos por o nosso Deus ter uma memória notoriamente curta quanto ao nosso passado e estar pronto a acolher-nos de volta em qualquer momento, mesmo à última hora, desde que manifestemos arrependimento dos nossos pecados e o desejo de nos reunirmos a ele no amor. No fim, a graça significa que ninguém é demasiado mau para ser salvo. Mas significa também que algumas pessoas podem ser demasiado «boas» para serem salvas, isto é, ter uma opinião tão elevada de si mesmas que pensam não precisar da graça de Deus. A graça de Deus não o pode ajudar enquanto não estiver disposto, na humildade, a recebê-la.
A graça é o único artigo de fé próprio do cristianismo. Implica que, em rigor, não merecemos nada. Tudo o que recebemos é essencialmente graça de Deus.

