25.º Domingo do Tempo Comum, Ano A — 20 de setembro de 2026
P. Ayeni Ayodele, C.S.Sp.
Isaías 55,6-9; Filipenses 1,20c-24.27a; Mateus 20,1-16a.
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, a profecia de Isaías aponta-nos para a era messiânica em que os dons de Deus são oferecidos gratuitamente: sem pagamento nem cartão de crédito! Para todos os que duvidam da sua salvação por se considerarem pecadores, e para os que ainda se perguntam como pode Deus salvar um mundo pecador, temos hoje uma resposta: «Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos são os meus caminhos, diz o Senhor. Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos caminhos e os meus pensamentos acima dos vossos pensamentos.»
Segundo as leituras de hoje, uma das grandes diferenças entre Deus e os seres humanos é a GRAÇA. Deus dá-nos gratuitamente. A sua generosidade ultrapassa os nossos cálculos sobre o que as pessoas merecem. Deus é perfeitamente justo, mas a sua justiça nunca está separada da sua misericórdia, generosidade e desejo de salvar. A graça lembra-nos que a salvação é, antes de mais, dom de Deus, e não algo que ganhamos ou compramos.
Quando o povo judeu estava na Babilónia, a possibilidade de salvação e redenção estava constantemente nos seus lábios e no seu coração. Ansiava pela liberdade, mas não a podia obter por si mesmo. Precisava de um salvador; precisava da graça. Os seus pecados estavam diante dos seus olhos, e as consequências do exílio e da humilhação permaneciam constantemente diante dele.
É precisamente quando os seres humanos descobrem a sua impotência que Deus revela algo de extraordinário sobre si mesmo. Deus vem até nós como graça — graça de salvação e de redenção. Como tantas vezes na Escritura, Deus traz uma mensagem de esperança a um povo que quase perdeu a esperança, e permanece fiel às suas promessas.
Para nós, cristãos, é na pessoa de Jesus Cristo que vemos a esperança anunciada por Isaías chegar à sua plenitude. A humanidade esperou séculos para ver a promessa da redenção plenamente revelada em Cristo.
Os trabalhadores à espera no Evangelho de hoje lembram-nos esta expectativa. Tal como o povo judeu não se podia redimir a si mesmo, os trabalhadores do Evangelho não se podiam contratar a si mesmos. Precisavam de que alguém viesse procurá-los.
Imagine-se a vergonha e a humilhação vividas hoje por pessoas que não encontram trabalho, apesar de serem qualificadas e quererem trabalhar. Imagine-se a angústia de não poder alimentar os filhos ou a frustração de continuar dependente dos pais mesmo na idade adulta. O desemprego pode roubar às pessoas não só o rendimento, mas também a confiança, a dignidade e a esperança. Podemos pensar também nas dificuldades económicas e na falta de oportunidades que contribuem para a migração em muitas partes do mundo, incluindo em África. Por detrás das estatísticas estão seres humanos reais em busca de uma vida melhor.
Na parábola de hoje, o dono da vinha sai repetidamente a chamar trabalhadores para a sua vinha a diferentes horas do dia. Jesus conhecia certamente as expectativas comuns de justiça entre empregadores e empregados. Conhecia a importância do tempo, do trabalho e do esforço. No entanto, na parábola, os que chegaram por último receberam o mesmo salário diário que os que tinham trabalhado desde o início.
Aqui começamos a compreender as palavras de Isaías: os caminhos de Deus não são os nossos caminhos.
A parábola não é, em primeiro lugar, uma lição sobre contratos de trabalho ou política económica. Revela algo sobre o Reino de Deus. A generosidade do dono da vinha aponta para a generosidade de Deus. A salvação não é um salário calculado segundo o número de horas trabalhadas. É um dom. Nenhum ser humano pode comprar a salvação, e ninguém pode tornar Deus seu devedor.
Este é o Evangelho da graça.
Os que vieram à primeira hora receberam o que lhes tinha sido prometido. Os que vieram à última hora receberam uma generosidade para além do que podiam esperar. O dono faz uma pergunta forte: «Ou vês com maus olhos que eu seja bom?» Essa pergunta é também dirigida a nós.
Consigo alegrar-me quando Deus é generoso com outra pessoa? Consigo alegrar-me quando alguém que viveu longe de Deus volta para ele? Consigo acolher o pecador que se arrepende depois de muitos anos? Ou penso secretamente que mereço mais porque sou fiel há mais tempo? A graça desafia a nossa tendência a compararmo-nos com os outros.
São Paulo ensina-nos como responder a esta graça: «Procedei de maneira digna do Evangelho de Cristo.» O Evangelho da graça é a salvação que a humanidade recebeu gratuitamente de Deus. Quando nos confiamos inteiramente a Deus, até a nossa compreensão do tempo começa a mudar. Deus é Senhor do tempo.
É por isso que nunca é tarde demais para a salvação. Enquanto Deus continuar a chamar, há esperança. O trabalhador chamado à última hora ainda é acolhido na vinha. O pecador que se volta para Deus tarde na vida ainda é convidado a receber misericórdia. A graça significa que o nosso passado não tem a última palavra; quem a tem é Deus.
Na lógica de São Paulo, quando uma pessoa pertence a Cristo, Cristo torna-se o sentido último da vida. Paulo declara: «Para mim, viver é Cristo, e morrer é lucro.»
Para vós e para mim, o Senhor continua a chamar a cada hora da nossa vida, tal como o dono da vinha voltava à praça para convidar mais trabalhadores. Cada chamamento de Deus é um convite a receber de novo o dom da salvação conquistada para nós por Cristo.
A hora a que os trabalhadores chegaram não os impediu de receber a generosidade do dono. Do mesmo modo, o momento da vida em que alguém responde a Cristo não coloca essa pessoa fora do alcance da graça de Deus. Esta verdade deveria também mudar a forma como olhamos para os outros.
Estamos a ser iniciados na justiça de Deus — uma justiça inseparável da misericórdia. Em vez de condenar o pecador, esperamos e rezamos pela sua conversão e salvação. Em vez de ficarmos com inveja quando outra pessoa recebe a graça, alegramo-nos porque a misericórdia de Deus alcançou outro ser humano.
Somos, por isso, convidados a aprender duas coisas: paciência e amor. Paciência, enquanto esperamos que a graça de Deus atue na vida dos outros. Amor, recusando desistir de qualquer ser humano.
Talvez haja alguém que já julgou estar para além de qualquer redenção. Talvez haja alguém de quem disse: «Essa pessoa nunca vai mudar.» O Evangelho de hoje pede-nos que deixemos espaço para a graça.
O dono da vinha saiu de manhã. Saiu de novo às nove. Saiu ao meio-dia. Saiu às três. E, espantosamente, saiu ainda às cinco da tarde. Deus continua a sair à nossa procura.
É esta a boa notícia de hoje: enquanto Deus continuar a chamar, nunca é tarde demais.
Tarefa da semana
Envie uma palavra de encorajamento a alguém que conheça e que esteja a passar por um momento difícil. Recorde a essa pessoa, com as suas palavras ou ações, que há sempre razão para ter esperança.

