Ngoya, uma comunidade de formação espiritana no coração de África

Ngoya, uma comunidade de formação espiritana no coração de África

Reportagem no Teologado Espiritano Poullart des Places — 12 de outubro de 2026

A poucos quilómetros de Yaoundé, a capital dos Camarões, em Ngoya, 28 jovens religiosos vindos de oito países africanos preparam-se para ser padres missionários. Reportagem no Teologado Espiritano Poullart des Places, uma casa onde se inicia o estudo da teologia e que precisa do apoio de todos para continuar a sua missão.

São camaroneses, centro-africanos, congoleses das duas margens, gaboneses, gambianos, malgaxes e tanzanianos. São 28 escolásticos, isto é, jovens religiosos da Congregação do Espírito Santo, os Espiritanos, na última etapa da sua formação antes do sacerdócio. Quatro formadores acompanham-nos no dia a dia.

O Teologado tem o nome de Claude Poullart des Places, que fundou a Congregação em Paris, em 1703, para formar padres ao serviço dos mais pobres. Três séculos depois, é na África Central que esta intuição continua a dar fruto. A casa é da responsabilidade comum da União das Circunscrições Espiritanas da África Central (UCSAC).

Quatro formadores para acompanhar 28 vocações

Uma casa de formação vale, antes de mais, por aqueles que a conduzem. Em Ngoya, uma equipa de quatro religiosos partilha a responsabilidade da vida comunitária, das finanças, dos estudos e do acompanhamento espiritual.

P. Paul Venance Ntambwe, reitor do Teologado Espiritano de Ngoya
P. Paul Venance Ntambwe, reitorTem a responsabilidade geral da casa: a animação da comunidade, o discernimento com cada escolástico e a ligação com os superiores das províncias de origem.
P. Floribert Ouambe, diretor de estudos
P. Floribert Ouambe, diretor de estudosAcompanha o percurso académico dos escolásticos e a ligação com a escola teológica onde frequentam as aulas.
Ir. Gustave Reyosse, ecónomo
Ir. Gustave Reyosse, ecónomoÉ ele quem garante o funcionamento da casa: a intendência, as contas, a manutenção dos edifícios e as atividades que visam a autonomia da comunidade.
P. Yonel Mienagata, diretor espiritual
P. Yonel Mienagata, diretor espiritualAcompanha a vida de oração da comunidade e o caminho interior de cada um para o compromisso definitivo e o ministério.

Formar a pessoa inteira, não só a inteligência

Em Ngoya, não se vem apenas aprender teologia. A Regra de Vida Espiritana define a formação como um aprofundamento permanente da vida apostólica, sob a ação do Espírito Santo, atento à herança dos fundadores e às necessidades do mundo (RVE, n.º 100). Pede que cada um seja acompanhado no seu crescimento humano, intelectual, espiritual, religioso e comunitário (n.º 104).

O Capítulo Geral de Bagamoyo II, realizado em 2021, vai no mesmo sentido. A formação deve abrir às transformações do mundo e incluir experiências pastorais concretas (n.º 109). Deve dar lugar à colaboração com os leigos (n.º 110) e prevenir o clericalismo e o individualismo (n.º 111).

Quanto aos estudos, as aulas decorriam antes em dois locais: a Universidade Católica da África Central (UCAC) e a Escola Teológica São Cipriano de Ngoya (ETSC). Para a harmonia da vida comunitária, apenas a ETSC foi mantida. O regulamento da casa é claro: trabalho bem feito, disciplina e seriedade nas obrigações de estudante, com a ajuda da comunidade para responder às exigências académicas.

Oito países, uma só família

A comunidade do Teologado Espiritano Poullart des Places de Ngoya
A comunidade do Teologado Espiritano Poullart des Places de Ngoya.

Camarões, República Centro-Africana, Congo-Brazzaville, República Democrática do Congo, Gabão, Gâmbia, Madagáscar, Tanzânia: a lista dos países de origem diz, por si só, a riqueza desta casa. Todos os dias, jovens de línguas, culturas e histórias diferentes rezam, estudam, comem e trabalham juntos.

Esta diversidade não é um cenário; é uma schola amoris, uma escola onde se aprende a amar o outro na sua diferença. A Regra de Vida Espiritana pede que os Espiritanos sejam preparados para a vida comunitária e para o encontro entre culturas (n.º 141 e 141.1). Numa África onde a convivência é muitas vezes ferida por particularismos excessivos como o tribalismo, o etnocentrismo, o regionalismo e o racismo, Ngoya oferece um testemunho profético: é possível ser irmãos para além das pertenças nacionais e culturais.

Uma casa entre oração, estudo e trabalho

À entrada do escolasticado, à esquerda, ergue-se a capela. É o coração da casa: a oração e o discernimento dão ali orientação aos estudos, às relações fraternas e à preparação para o serviço missionário.

A capela do Teologado Espiritano de Ngoya
A capela, lugar de oração e de santificação.

Perto encontram-se a sala de conferências, os edifícios A, B e C, o refeitório e uma cozinha exterior, no meio de espaços verdes. Ao fundo do terreno, um grande edifício de dois pisos alberga quartos, a sala comunitária, a biblioteca e uma garagem.

No mesmo terreno, um galinheiro e uma pocilga completam as instalações. Permitem à comunidade contribuir para o seu próprio sustento, de acordo com o apelo da Congregação a avançar para a autossuficiência. Para os futuros padres, é também uma aprendizagem muito concreta da responsabilidade material.

Galinheiro do Teologado Espiritano de NgoyaEdifício de criação de animais do Teologado Espiritano de Ngoya

Galinheiro e pocilga: a comunidade trabalha para a sua autonomia.

Estes edifícios trazem também a marca do tempo: telhados de chapa enferrujada e paredes gastas pela humidade. Mantê-los e modernizá-los exige meios que a casa nem sempre consegue reunir sozinha.

Formar um padre tem um custo

A pensão anual está fixada em 2 500 000 francos CFA por estudante, cerca de 3 811 euros. Para os 28 escolásticos deste ano, isso representa 70 000 000 francos CFA, cerca de 106 700 euros. É sobre esta soma que assenta a vida da casa e da formação.

É paga todos os anos pela província de origem de cada estudante, segundo as modalidades fixadas pela UCSAC. Mas as próprias províncias espiritanas da África Central têm meios limitados. O Capítulo Geral de Bagamoyo II reconhece-o: pede às circunscrições que assegurem um financiamento suficiente às casas de formação (n.º 126), que procurem novas fontes de rendimento (n.º 134) e que sejam solidárias com as circunscrições mais pequenas e mais pobres (n.º 133).

Por outras palavras, a formação destes jovens missionários não pode assentar apenas nas forças da Congregação. Precisa de toda a Igreja.

Um apelo à generosidade

Membros da comunidade do Teologado Espiritano de Ngoya
Membros da comunidade do Teologado Espiritano de Ngoya.

Os 28 jovens de Ngoya serão amanhã padres nas paróquias, nas escolas, nas capelanias, nos campos de refugiados e nas periferias para onde os Espiritanos são enviados, em África e no mundo. O que hoje recebem em Ngoya, amanhã darão a milhares de pessoas.

Por isso, o Teologado lança um apelo a todos os fiéis, às paróquias, às comunidades religiosas, às associações, às empresas e às pessoas de boa vontade. Cada um pode ajudar à sua medida:

  • Apadrinhar um escolástico, assumindo toda ou parte da sua pensão anual (2 500 000 francos CFA, cerca de 3 811 euros).
  • Fazer um donativo, mesmo modesto, para a vida quotidiana da casa.
  • Apoiar um projeto concreto: renovação dos edifícios, livros para a biblioteca, desenvolvimento da criação de animais.
  • Rezar pelas vocações e pela comunidade de Ngoya.

Para apoiar a formação dos futuros padres espiritanos em Ngoya, contacte o reitor, P. Paul Venance Ntambwe, C.S.Sp., por WhatsApp através do número +243 821 801 479.

Apoiar Ngoya é semear hoje para a missão de amanhã.


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